
Nunca será demais recordar as nossas origens. Aquela com que nos identificamos na verdadeira essência do que somos e de onde viemos, para podermos obter respostas e justificações sobre onde estamos e o que fazemos. Não há fórmulas que nos permitam calcular com exatidão as nossa opções, mas é certo que o resultado surge sempre do que a nossa mente flui como o entendimento que a nossa inteligência e ponderação nos ditam a eleger como o mais adequado. Ser Bombeiro é ser universal e é ser continuador na vontade e determinação de todos quantos precederam no nobre objetivo humanitário de servir a salvar vidas e bens. Mas é preciso também ter capacidades físicas, intelectuais e anímicas para prosseguir, e mérito para alcançar o êxito nas mais prementes situações de perigo e risco da própria vida. E ainda mais qualidades do que estas, são precisamente o génio e avisão, com que um entroncamentense de nome José Duarte Coelho, então Presidente da Câmara do Entroncamento, em 23 de Novembro de 1948 arquitetou e submeteu para aprovação, a criação da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Entroncamento, que veio a ser formalmente fundada em 06 de Janeiro de 1949 com a aprovação dos estatutos, pelo então Governador Civil do Distrito de Santarém. E esta é a génese e a essência que justifica tudo o que somos e o que fazemos como Associação Humanitária e Corpo de Bombeiros Voluntários, a que nos podemos orgulhar de pertencer e servir.
Há pois que reconhecer o extraordinário talento e engenho de alguém, que mais do fazer pelos outros, foi o de criar as condições para que os outros pudessem continuar em prol de todos, hoje e no futuro. E isto é por certo motivador e inspirador para todos e para as gerações vindouras. Fazer mais e melhor que os antecessores é uma obrigação que fruto das novas tecnologias e desenvolvimento, a todos nos incumbe, e assim se poderá garantir que s competências e a prestação dos serviços a par com a evolução são compatíveis com as necessidades e exigências cada vez mais crescentes da sociedade atual.
E assim, poderá perpetuar-se a dignidade, a consideração e o apreço que compensem o esforço e dedicação que os fundadores despenderam ao concretizar os seus ideais e estabelecer um importantíssimo marco na história da Associação e do corpo Ativo de Bombeiros Voluntários do Entroncamento. Os louvores, elogios e condecorações são motivadores e gratificantes para os que merecidamente têm desempenhos excecionais, contribuindo de igual forma para o prestígio da instituição. Há pois também que recordar que o lançamento dos alicerces para a fundação dos bombeiros foi o ponto de partida para um longo caminho a percorrer com a criação das infraestruturas, angariação dos meios, fundos, voluntários e sua formação e treino, para pôr em prática definitiva a atuação eficiente de toda a corporação.
Naquele domínio, são pioneiros os notáveis 1º Comandante João Augusto Gomes e o 2º Comandante e Instrutor Francisco Ribeiro Nogueira, que assumiram de forma categórica e indiscutível os compromissos da constituição do Corpo Ativo dos Bombeiros Voluntários do Entroncamento, tendo se realizado a primeira convocação de voluntários no dia 18 de Maio de 1951, e no mesmo mês procedido à aquisição e montagem da primeira viatura do referido corpo.
É também em Setembro do mesmo ano que é adquirido e montado na casa H. Vaultier & Cª em Lisboa o primeiro Pronto-Socorro. Em Novembro de 1952 a corporação é composta dos seus 1º e 2º Comandantes, um Adjunto do Comandante, um Aspirante a Chefe de Material, um Bombeiro de 1ª Classe e vinte e um Aspirantes.
Nos dias de hoje tudo é diferente e aparentemente mais rápido e acessível e por isso é vantajoso analisar o passado para desenvolver o presente e perspetivar o futuro.
E perspetivar o futuro, não é mais do que planear em tempo oportuno a programação das necessidades dos recursos humanos e sua eficaz formação técnica e operacional, assim como da dotação progressiva de todos os meios logísticos indispensáveis, no âmbito dos materiais, equipamentos individuais e coletivos, viaturas, meios de comunicação, etc…que numa visão retrospetiva venham colmatar as lacunas e limitações verificadas no presente. É ter a arte e a sabedoria de prever e inovar tal como os fundadores que nos primórdios souberam e fizeram de forma distinta e abnegada.
A eles…
O nosso sincero e eterno agradecimento!!!